Plano de Visitação

Sobre o Plano de Visitação

O presente documento, “Plano de Visitação da Terra Indígena Tenondé Porã – 2018”, tem por objetivo estabelecer as regras e informar a respeito das condições para a realização de visitas às aldeias e atrativos naturais da Terra Indígena Tenondé Porã, declarada como de posse permanente do nosso povo, Guarani.

O Plano de Visitação é um documento exigido pela Instrução Normativa da FUNAI Nº03/2015, e sua aprovação é necessária para regularizar qualquer atividade de visitação com fins turísticos que incida em Terras Indígenas. É, assim, um marco regulatório para garantir que tais atividades respeitem os direitos territoriais dos povos originários, assim como seus usos, costumes e tradições, conforme dispõe a lei máxima de nosso país, a Constituição Federal.

Este Plano foi elaborado a partir de uma série de oficinas realizadas em nossas aldeias na Terra Indígena Tenondé Porã, ocasião em que foram avaliadas iniciativas de turismo já praticadas e as propostas para desenvolvimento e regularização das visitas.

Decidimos que a partir de agora toda e qualquer visita em nossas aldeias ou em outras áreas dentro de nossa terra deve ser previamente agendada via site de visitação da TI Tenondé Porã (www.tenondepora.org.br) e seguir o que estabelecemos neste documento. Atividades que estejam em desacordo com nossas diretrizes, que ocorram sem as autorizações aqui exigidas ou desrespeitem nossos direitos, serão proibidas e seus responsáveis estarão sujeitos a sanções legais.

Acreditamos que o turismo sustentável e de base comunitária, assim como todas as visitas daqueles que, com respeito, buscam conhecer nossas aldeias e nosso território, podem contribuir positivamente em diversos aspectos: para a valorização e fortalecimento de nossa cultura, para a dissolução de preconceitos, para a criação de novos laços de parceria e cooperação, para a preservação das matas e de todos os seres que nelas vivem, e para que, enfim, mais pessoas juntem-se à nossa luta por um mundo plural – um mundo em que caibam muitos outros mundos!

Peju porã! Sejam Bem-vindos!

Diretrizes gerais para visitação na Terra Indígena Tenondé Porã

Em nosso documento “Definições Emergenciais sobre Visitação Turística no Território Indígena Tenondé Porã”, de agosto de 2016, adiantamos algumas das diretrizes para visitação em nosso território.  

Agora, em nosso Plano de Visitação, ratificamos e atualizamos essas diretrizes, enfatizando que elas são de aplicação imprescindível para todos os casos de visitas, sejam visitas às aldeias, sejam visitas às trilhas ou cachoeiras que estejam dentro de nossa terra. Tais diretrizes assim como todas as normas contidas neste Plano devem ser respeitadas por todos, inclusive e sobretudo por instituições não indígenas – públicas ou privadas – parceiras na promoção, produção e/ou condução das visitas, assim como por todos os visitantes.

Diretrizes:

  1. Deve ser garantida a participação e protagonismo das comunidades nas decisões sobre quaisquer atividades de turismo na Terra Indígena Tenondé Porã, mediante consulta livre, prévia e informada a respeito de quaisquer planos que envolvam visitação na TI, ou que afete direta ou indiretamente nossas comunidades.
  2. As decisões sobre turismo no Território Indígena Tenondé Porã só podem ser tomadas pelo coletivo de lideranças e caciques de toda o Território Indígena, de todas as aldeias, e não são válidas autorizações nem por escrito nem oralmente dadas por uma pessoa guarani individualmente. Qualquer comunicação com as lideranças responsáveis por acompanhar a visitação turística na TI pode ser realizada pelo email: [emailconselhoturismo@]
  3. De acordo com a Lei Nº 6001/1973, não é permitida a venda de bebidas alcoólicas no interior de Territórios Indígenas, e portanto não será tolerada a venda e uso de bebidas alcoólicas em locais de visitação turística no interior da Terra Indígena Tenondé Porã, estando os responsáveis por eventuais transgressões da norma sujeitos à sanção penal.
  4. Só serão aceitas visitas à Terra Indígena Tenondé Porã mediante agendamento prévio. O canal oficial para divulgação das aldeias e de atrativos no Território Indígena, assim como para contato, registro de demandas, cadastros de visitantes ou parceiros e agendamento de visitas, é o site [www.tenondepora.org.br]. Todas as pessoas e instituições interessadas em realizar visitas, já conhecendo ou não as aldeias e nossas lideranças, devem registrar suas demandas de visita por meio de nosso site e seguir as orientações ali existentes para prosseguimento do agendamento. Para mais detalhes sobre o site, ver os itens 5.1 e 5.2 deste Plano de Visitação.  
  5. Qualquer divulgação sobre visitação turística em outros meios que envolva o Território Indígena (em folders, sites de internet, jornais, televisão, placas viárias, etc.) só poderá ser publicada mediante consulta livre, prévia e informada ao coletivo de lideranças e caciques do Território Indígena, e deve conter menção ao site de visitação da TI Tenondé Porã como canal oficial para iniciar o processo de agendamentos de visitas. Também é necessário, no caso de atrativos no interior da TI, instalar placas informativas sobre o ingresso em Território Indígena, com recomendações específicas de respeito às comunidades e à legislação, inclusive em relação à proibição de bebidas alcoólicas.
  6. Durante as visitas no Território Indígena, registros em áudio, foto ou vídeo devem ser previamente autorizados pelas lideranças ou monitores guarani responsáveis, assim como pelas próprias pessoas que estão sendo registradas. A publicação desses registros, para fins comerciais ou não, só poderá ser feita mediante autorização para uso de imagens, assinado pelas lideranças e cada pessoa que apareça nas imagens ou seu responsável.
  7. Não permitiremos o início de quaisquer novas atividades de visitação turística no interior do Território Indígena Tenondé Porã, mesmo em áreas ainda em posse de não indígenas ainda não indenizados, sem a aprovação expressa de um plano de visitação pela FUNAI, em respeito à Instrução Normativa Nº3 de 2015.
  8. As atividades já existentes de visitação turística dentro da TI em áreas em posse de não indígenas ainda não indenizados deverão ser restritas a essas mesmas áreas, não adentrando em hipótese nenhuma ao Território Indígena por meio de suas trilhas e rios. Após o processo de desintrusão, a operação das atividades de visitação nessas mesmas áreas poderá ser feita em parceira com não indígenas, que serão escolhidos via edital público, e a área de atuação poderá ser ampliada mediante uma adequada atualização deste Plano de Visitação.
  9. Toda e qualquer e visitação turística na TI Tenonde Porã deve ser sempre acompanhada pelos responsáveis indígenas ou pelos responsáveis pela gestão da visitação ao atrativo indicados pelas comunidades indígenas (no caso de atrativos operados por não-indígenas autorizados).

Visitação em atrativos no Território Indígena

Além das atividades e visitas relacionadas às nossas aldeias, há diversos atrativos naturais e trilhas ao longo do Território Indígena Tenondé Porã cuja visitação deve seguir as normas aqui descritas. Alguns desses lugares e passeios estão abertos para visitantes e o agendamento também deve ser feito via site de visitação da TI Tenondé Porã. Contudo, após uma série de vistorias e avaliações feitas pelo conjunto de nossas lideranças, decidimos, por ora, não permitir a visitação em alguns pontos que serão informados mais adiante.

 Também estamos cientes que algumas trilhas no interior do Território Indígena são utilizadas – sem qualquer tipo de regulação – por não indígenas que as percorrem a pé, de bicicleta ou de motocicleta. Excetuando as vias públicas que ligam regiões fora do Território Indígena, determinamos que todas essas atividades em trilhas no interior de nosso território devem ser regularizadas mediante o adequado cadastro no site de visitação dos grupos que queiram fazer tais atividades e autorização por parte de nossas lideranças.

 É importante deixar claro que, com a aprovação e publicação deste Plano de Visitação, não serão permitidos acessos irregulares ao interior do Terraitório Indígena ou qualquer promoção de atividades turísticas que violem as diretrizes deste documento, e seus responsáveis estarão sujeitos a sanções legais.

Trilhas longas para o litoral

 

Há diversos caminhos que ligam nossas aldeias do planalto às aldeias guarani do litoral. As rotas principais vão mudando de acordo com vários fatores, entre eles ações dos não indígenas, como é o caso da ferrovia Itirapina-Cubatão, que foi instalada na década de 1930, sem consentimento de nossas comunidades e em cima de nosso território tradicional, causando vários transtornos e alterando vários de nossos caminhos ancestrais.

Hoje em dia, a trilha que mais utilizamos para a ligação entre as aldeias de Parelheiros e a aldeia Rio Branco de Itanhaém passa pela região do túnel 24 da ferrovia, incluindo parte do trajeto na beira do túnel. Já tivemos vários casos de acidente na região com os próprios Guarani.

Atualmente, a ferrovia está em fase de duplicação, e com o término das obras, a circulação de trens deve aumentar de cerca de 20 pares de trem por dia para até 80 pares! Essa mudança, que vai acarretar em mais risco para nós, será ainda mais perigosa para turistas que andam por lá sem autorização e sem conhecimento da mata. O grau de dificuldade dessas trilhas é bem alto e a caminhada chega a ultrapassar sete horas de duração, incluindo a travessia de grandes cursos d’água e trechos de escarpas bem íngremes.

Apesar de muitos de nós seguirmos realizando esses caminhos para visitar parentes, nossas lideranças avaliaram que só será possível regularizar essas trilhas para a prática de ecoturismo após a abertura de trajetos alternativos aos que passam pelos trilhos e túneis da linha férrea, garantindo um trajeto mais seguro. Essas alterações estão incluídas como parte do processo licenciamento que a empresa da ferrovia é obrigada a realizar por conta da duplicação, e deverão ficar prontas em pouco tempo. Também aproveitaremos para realizar cursos de formação para uma melhor capacitação dos guias guarani que farão o acompanhamento dessas atividades.    

Desse modo, até a conclusão dos reparos de segurança nas trilhas e organização dos grupos de monitores guarani, decidimos não abrir à visitação nenhuma das trilhas de descida ao litoral e qualquer ingresso de turistas não indígenas nessas trilhas será considerado irregular e sujeito a sanções legais.

Cachoeiras, corredeiras e atrativos naturais na TI Tenondé Porã

 

Nos próximos itens, detalharemos diferentes atrativos turísticos ao longo de cursos d’água que se encontram dentro da TI Tenondé Porã, informando se estão abertos para atividades de visitação e, caso positivo, quais são as condições de sua realização.

Cachoeira Mbore’ygua (antiga cachoeira da Macumba)

 

Um ponto de grande visitação na Terra Indígena é a cachoeira Mbore’ ygua (cachoeira da Anta), e conhecida na região como cachoeira da Macumba. As visitas realizadas por não indígenas nessa localidade, no entanto, estão irregulares e gerando um grande impacto ambiental pelo lixo descartado ali.

Além da questão do descarte de lixo por turistas, sabemos que há muitos moradores da região que são praticantes de religiões de matriz africana e que visitam esse lugar para deixar oferendas. Muitas dessas oferendas, apesar de não serem lixo, não são biodegradáveis e algumas são de vidro, o que constitui um risco numa área de banho.

Não pretendemos proibir ninguém de realizar rituais em contato com a natureza, mas como essa localidade encontra-se dentro de nossa Terra Indígena, é também nosso dever zelar por ela e garantir que as visitas ali não gerem impacto.

Nesse sentido, faremos reuniões com lideranças religiosas locais para conscientizar sobre formas de deixar oferendas que não provoquem impacto ambiental e nem risco para a visitação em geral.

Devido ao fato desse atrativo estar bem ao lado de uma via pública de fácil acesso e próxima a um dos limites de nossa Terra Indígena, é muito difícil fazermos um controle rigoroso da entrada. Contudo, iremos instalar placas de aviso sobre as regras para visitação e faremos fiscalizações regulares para coibir o descarte de lixo. Aqueles que forem flagrados deixando lixo ou quaisquer materiais não biodegradáveis estarão sujeitos a sanções penais.

Por meio de nossos esforços para limpeza e preservação do local, pretendemos que as visitas à Cachoeira do Mbore’ygua sejam feitas de forma organizada e respeitosa, e propiciem uma ótima experiência aos visitantes, que poderão banhar-se em suas águas cristalinas em meio à mata.

Lembramos que as comunidades das aldeias Kalipety e Tape Mirĩ oferecem visitas ao local, e as mesmas devem ser agendadas via site de visitação.

 

[imagem de satélite com localização da cachoeira – pasta experiencias na natureza/ mapas e trilhas/cachoeira mboyregua]

Cachoeiras, corredeiras e atrativos no rio Capivari

 

O rio Capivari é o principal curso d’água que atravessa nossa Terra Indígena. São aproximadamente 16 quilômetros de percurso dentro da TI Tenondé Porã, com diversas cachoeiras, corredeiras e áreas de remanso, para depois descer a serra e seguir à TI Rio Branco, banhando mais uma aldeia guarani.  

É considerado um dos últimos rios que não foi poluído pelos jurua (não indígenas) no município de São Paulo, e lutaremos para que continue assim. Para nós Guarani, devido à enorme importância desse rio em nosso território, por ele e seus afluentes ligarem diversas de nossas aldeias, fornecendo água e vida a tantos seres que compartilham esta terra conosco, este é um rio sagrado. Por isso, só iremos permitir atividades de visitação em suas corredeiras e cachoeiras que possuírem um bom controle de acesso e estrutura para evitar qualquer tipo de exploração que possa gerar ações danosas ao rio e às nossas aldeias que estão próximas às suas margens.

Cachoeira do Marsilac

 

O local atualmente conhecido como Cachoeira do Marsilac consiste em uma prainha formada por bancos de areia, com extensão de mais ou menos 50 metros e de rasa profundidade, e um trecho com algumas corredeiras e pequenas quedas d’água.

A Cachoeira do Marsilac encontra-se integralmente dentro da TI Tenondé Porã e situada a apenas 1,5 quilômetros da nossa aldeia Yrexakã, a jusante do rio Capivari. O acesso é feito pela Estrada do Capivari, saindo do bairro Marsilac. Ao final da estrada, há uma entrada para área, também dentro da TI Tenondé Porã, que dá acesso ao rio e onde opera a empresa de ecoturismo SelvaSP. Atualmente, a estrutura do local conta com espaço para estacionamento, bar/restaurante, banheiros ecológicos, tirolesa e boias para banho recreativo. A empresa SelvaSP controla o acesso ao local de banho e cobra R$10,00 por pessoa para o ingresso.

Este atrativo já é bem famoso, contando com placas de indicação de caminho ao longo de Parelheiros, descrições em guias de turismo e tem recebido uma grande quantidade de visitantes, principalmente nos finais de semana, o que se intensifica durante os meses de verão.

Apesar da intensa visitação que ocorre no atrativo, até a confecção deste Plano de Visitação não havia qualquer regularização dessas atividades em acordo com as comunidades guarani.

Sabemos que pelo fácil acesso, e por ser um dos poucos lugares de lazer para os habitantes dos bairros do extremo sul de São Paulo, há uma demanda muito grande de turistas para visitar a Cachoeira do Marsilac, podendo levar a situações de lotação altamente impactantes, como ocorria com frequência no passado. Por isso, avaliamos como positivo e necessário o trabalho de controle ao acesso e gestão do atrativo efetuado atualmente pela empresa SelvaSP.

Após uma vistoria na área de operação da empresa, nossas lideranças decidiram, por ora, em autorizar as visitações no local – que está dentro da TI Tenondé Porã –, mesmo sem participar dos rendimentos obtidos pela SelvaSP. A autorização é válida desde que a empresa SelvaSP continue compromissada com um turismo de baixo impacto e respeitando as demais diretrizes contidas neste Plano de Visitação.

A princípio, tal autorização de operação à SelvaSP irá vigorar até a conclusão do processo de desintrusão dos ocupantes não indígenas da TI Tenondé Porã conduzido pela Funai, quando planejamos apresentar um edital aberto ao público por meio do qual selecionaremos alguma empresa ou instituição interessada em continuar a gestão do atrativo Cachoeira do Marsilac em parceria com as comunidades guarani da TI Tenondé Porã.

Desse modo, enfatizamos, em consonância com a diretriz nº 9 deste Plano de Visitação, que estão autorizadas visitas conduzidas pela empresa SelvaSP apenas nas imediações da Cachoeira do Marsilac. Incursões no interior da Terra Indígena, seja pelo rio Capivari, seja por trilhas na mata, não estão permitidas, e os responsáveis pela realização irregular dessas atividades estarão sujeitos a sanções legais.

A realização de caminhadas em trilhas nas proximidades do rio Capivari e visitas às suas cachoeiras e corredeiras localizadas no interior de nossa Terra Indígena só poderão ocorrer conduzidas pelos Guarani ou um parceiro autorizado e devem ser agendadas por meio do site de visitação da TI Tenondé Porã.

Corredeiras do rio Capivari

 

Há uma série de corredeiras ao longo do trecho de 16km do rio Capivari que encontra-se dentro da Terra Indígena Tenondé Porã. Alguma delas estão bem próximas à nossas aldeias, como é o caso da tekoa Yrexakã, onde nas proximidades há um belo conjunto de pequenas quedas d’água, corredeiras e área para mergulho. Esse local também é conhecido pelos não indígenas como cachoeira dos Manacás.

Tanto essa área de corredeira, como todas as demais que estão à jusante no rio, só poderão ser visitadas em atividades conduzidas e agendadas com os Guarani, por meio do site de visitação da TI Tenondé Porã. Demais incursões a essas localidades, seja por meio de trilhas na mata, seja caminhando nas margens ou navegando pelo rio Capivari, serão consideradas irregulares e seus responsáveis estarão sujeitos a sanções legais.

Prainha do Capivari e encontro com rio dos Monos ( e a cachoeira que não é do Jamil)

 

Próximo ao encontro do rio Capivari com o rio dos Monos, dois dos principais rios da região e que dão nome à importante Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos que, junto à nossa Terra Indígena Tenondé Porã, contribui para a preservação das matas e dos mananciais do extremo sul de São Paulo, há um local com cachoeiras e um amplo poço com praia de areia em suas margens. Trata-se de um lugar muito chamativo para a visitação turística, e tem sido irregularmente explorado nos últimos anos por meio do nome “Cachoeira do Jamil”.

O acesso é feito por meio da Estrada Evangelista de Souza, e pequena via que atravessa a ferrovia, seguido de uma trilha por entre plantações de pinus em área de posse do sr. Jamil Saad.

Os visitantes têm pago cerca de R$20,00 por pessoa apenas para utilizar um caminho sob posse do sr. Jamil e assim chegar ao atrativo, que se encontra integralmente dentro de nossa Terra Indígena. A despeito de divulgar em diversos meios e vender esse atrativo natural como se fosse seu, a cachoeira sequer está em área limítrofe à propriedade desse senhor.

O poço ali existente, embora convidativo para mergulho, é um lugar perigoso e já tiveram vários casos de visitantes que chegaram ao local por meio do acesso cobrado pelo sr. Jamil e que morreram afogados.

Sem jamais ter oferecido estrutura mínima para a segurança dos visitantes ou serviço de manejo de resíduos, e apesar de já ter tido sua atividade interditada pela Prefeitura, o sr. Jamil segue divulgando e cobrando ilegalmente a exploração turística de um atrativo natural que está dentro da Terra Indígena Tenondé Porã.

Em face desta situação, as lideranças guarani da Terra Indígena Tenondé Porã declaram oficialmente que a visitação no local por meio do acesso do sr. Jamil está proibida e deve ser imediata e efetivamente interditada.  Tal decisão, assim como todas as demais contidas neste Plano, serão encaminhadas às autoridades competentes e incluídas em representação no Ministério Público Federal. Reincidências de exploração irregular desse atrativo, assim como a promoção e divulgação não autorizadas, serão registradas e seus responsáveis estarão sujeitos a sanções legais.

Futuramente, planejamos abrir um acesso alternativo a este trecho do rio Capivari por meio de trilha no interior da Terra Indígena e, após garantirmos a instalação de estruturas de apoio e segurança ao turismo, iremos reativar a visitação turística, seja sob nosso controle direto ou com parceiros que nós escolhamos. Até lá, enfatizamos: a visitação no local está proibida.

Cachoeira da Usina e encontro com Rio dos Campos

 

A Cachoeira da Usina consiste na maior queda d’água do município de São Paulo. Seu nome deriva do fato de que ali funcionou antiga usina de geração de energia construída pela Ferrovia Sorocabana e da qual ainda existem as ruínas. Há também uma antiga ponte de concreto que atravessa o rio Capivari e que hoje também está em ruínas. Nossa trilha mais antiga de ligação tradicional entre o planalto e o litoral passa exatamente ao lado dessa cachoeira, chegando na aldeia do Rio Branco de Itanhaém.

O acesso atualmente é feito de forma irregular, por meio de trilha que se inicia nas proximidades do túnel 27 da ferrovia, após um trecho de cerca de 2 quilômetros de caminhada pela linha férrea. É um local muito arriscado, sobretudo para quem não sabe andar no mato, e por isso temos preocupação com os turistas que vão lá. Sabemos que hoje em dia, mesmo sendo um local interditado para visitação, há turistas que vão lá por conta própria, deixam lixo no local, e correm risco de acidente.

Um pouco mais à montante do Capivari, a cerca de quatrocentos metros, há o Encontro do rio Capivari com o rio dos Campos, que forma um poço de água calma, próximo à trilha para a Cachoeira da Usina. Também há visitação irregular no local.

Em razão da Cachoeira da Usina ser um local perigoso e propício à acidentes, decidimos por não abrir visitação regular até que sejam instaladas estruturas adequadas para a segurança dos visitantes, para manejo de resíduos, assim como para garantir um controle efetivo do acesso, que não comporta muitas visitantes ao mesmo tempo.

A instalação dessas estruturas de apoio, assim como a construção de trajetos alternativos à linha férrea, que com a duplicação ficará ainda mais perigosa de ser indevidamente utilizada por pedestres, estão em fase de planejamento no âmbito do processo de compensação concernente à duplicação da ferrovia Itirapina-Cubatão. Tais possibilidades deverão ser avaliadas em conjunto com a gestão do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), unidade de conservação na qual este atrativo também está inserido.

Até a finalização desse processo, contudo, estão proibidas a promoção, divulgação e realização de visitas a esses locais, cujas localizações estão integralmente dentro da Terra Indígena Tenondé Porã. Os responsáveis por atividades irregulares estarão sujeitos a sanções legais. 

Logística e Protocolos para Visitação na TI Tenondé Porã

Site tenondepora.org.br – Visitação na TI Tenondé Porã

Para operacionalizar a logística de divulgação, cadastro, agendamento e registro das visitas na TI Tenondé Porã, criamos um site na internet, que pode ser acessado por meio do endereço www.tenondepora.org.br. Nosso intuito é que todos os agendamentos de visitas às aldeias e atrativos turísticos da TI Tenondé Porã sejam iniciados por meio do registro nesse site.

Dessa forma, seus objetivos principais são: promover de forma controlada a visitação na TI Tenondé Porã e servir como um instrumento de filtragem, registro histórico, e organização dos dados relativos às visitas, visitantes e parceiros não indígenas envolvidos, de modo que nos ajude a garantir, entre as lideranças de todas as aldeias da TI Tenondé Porã, um bom monitoramento e uma gestão coletiva e ao mesmo tempo eficiente das visitações.

O site tem em sua página principal um texto de apresentação, banner com fotos rotativas e uma imagem estilizada dos limites do Território Indígena e a localização das aldeias. A navegação está organizada por meio de um fluxograma que dá opção aos visitantes para se informarem e escolherem os passeios por duas vias principais: 1) acessando as páginas específicas de cada aldeia e seus roteiros oferecidos; ou 2) por abas temáticas relacionadas a interesses específicos, como: realização de trilhas guiadas; visita a atrativos naturais; sobre o nhandereko (modo de vida guarani); e formações e vivências em aldeias, e a partir delas quais as aldeias ou passeios no interior do Território Indígena que estão associadas a esses temas.

Os interessados podem, após informar-se sobre as atividades e roteiros oferecidos, fazer o registro de sua demanda de visita em uma página específica, descrevendo seu interesse, as datas desejadas, as características do grupo que pretende realizar a visita e preencher os campos necessários com os dados dos responsáveis. Após esse passo, as informações são enviadas automaticamente por email para as lideranças designadas em acompanhar o procedimento de agendamento. A pessoa interessada na visita recebe ela também um email com informações e links adicionais: as regras de conduta para visitantes, um link para cadastro de todos os participantes da visita, um link para o Plano de Visitação, além de um contato para dar seguimento ao agendamento da visita. Lembramos que o correto preenchimento do cadastro de todos os participantes da visita é imprescindível para a validação do agendamento, e trata-se de uma exigência da Instrução Normativa da FUNAI Nº03/2015.

O site conta com diversas fotos, imagens de satélite, links e outras informações úteis a respeito da TI Tenondé Porã e das atividades de visitação. Há abas específicas para cadastro de instituições não indígenas que queiram ser parceiras nas visitas; outra contendo as diretrizes do Plano de Visitação e uma terceira com regras de conduta para visitação no Território Indígena. Também há links, na página principal do site, para visualizar a versão completa do Plano de Visitação e para a Instrução Normativa da Funai Nº03/2015, sobre as normas e diretrizes gerais para atividades turísticas em terras indígenas.

Para que tal ferramenta funcione adequadamente e cumpra os objetivos que pretendemos dela, é imprescindível que todos os visitantes a utilizem como meio para iniciar o processo de agendamento das visitas. Dessa forma, todas as divulgações sobre as aldeias e atrativos na TI Tenondé Porã devem informar o site como canal oficial da visitação na TI Tenondé Porã, conforme estabelecem as diretrizes 4 e 5 deste Plano.

Cadastro de visitantes e instituições parceiras

Por meio do site de visitação da TI Tenondé Porã, é aplicado um cadastro tanto para os visitantes em geral, como também para as instituições não indígenas que tenham interesse em ser parceiras nas atividades de visitação.

Esse cadastro serve para um controle por parte das lideranças de quem está entrando na Terra Indígena, podendo restringir a visita daqueles que tenham cometido ilegalidades ou apresentado condutas inadequadas, assim como uma forma de regular as parcerias com instituições não indígenas na promoção, produção e/ou condução das visitas.

Desse modo, as instituições deixam cadastrados seus dados e de seus contatos responsáveis, que se comprometem a seguir as normas presentes neste Plano e a fornecer, para cada visita, uma planilha com os custos e cobranças efetuadas em seu agenciamento. Às instituições que se cadastrem é necessário aguardar a habilitação e aprovação do seu cadastro pelo coletivo de lideranças da TI Tenondé Porã, antes de iniciar qualquer atividade. A confirmação da aprovação da habilitação será enviada por email, após a análise do cadastro feito pelo site.

Se ocorrer qualquer irregularidade por parte da instituição, ela fica passível de perder o cadastro de instituição parceira e proibida de promover ou participar de qualquer tipo de atividade ou ingresso no Território Indígena.

O cadastro de instituições deve ser preenchido fornecendo os seguintes dados: CNPJ, endereço, site e perfil em redes sociais, descrição da instituição e histórico de atuação, e uma planilha geral de custos e valores para os agenciamentos. Além disso, para cada visita marcada, deve enviar uma atualização da planilha de custos e valores e a lista completa de nomes com RG, data de nascimento e endereço dos visitantes que agenciará.

Os visitantes que fizerem agendamento diretamente com as lideranças, por sua vez, devem preencher o cadastro incluindo nome, RG, data de nascimento e endereço de todos os integrantes que participarão da visita.

Regras de conduta para a visitação

Cada visitante que vem conhecer nossas aldeias ou algum dos atrativos naturais do nosso Território Indígena deve seguir algumas orientações e regras de conduta estipuladas por nossas lideranças. É importante que tais regras sejam conhecidas por todos, pois é uma forma de propiciar uma visita agradável e respeitosa a nós, aos visitantes e a todos os seres que habitam as matas na região:

  • Respeite nossas regras

É importante ficar claro para todos os visitantes e parceiros que o Território Indígena Tenondé Porã é nosso lar e, portanto, para visitá-la, é necessário que respeitem nossas regras e nossos direitos. Pedimos a colaboração de todos para divulgarem este Plano de Visitação como referência oficial das normas para as visitas à nosso território, e que só realizem visitas com agendamento prévio por meio de nosso site: www.tenondepora.org.br.

  • Chegue na aldeia com respeito e vontade de aprender

Nós Guarani temos nossa própria história, cultura e modo de ser, que chamamos de nhandereko, e podemos ensinar muitas coisas que não se aprendem na escola ou nos livros. Portanto, vá de mente aberta, deixe os preconceitos de lado e amplie seus conhecimentos.

Lembramos também que qualquer forma de proselitismo religioso está proibida e os responsáveis serão denunciados e impedidos de voltar novamente ao Território Indígena Tenondé Porã.

  • Informe-se previamente sobre o que pode levar na visita

Pergunte para a liderança guarani responsável por acompanhar a visita sobre o que pode ser levado, seja para consumo próprio, seja para presentear as pessoas. Nem sempre doações e presentes são benéficos às nossas comunidades. Procure aprender sobre as tradições alimentares guarani e respeitá-las.

Importante destacar que armas de fogo, bebidas alcoólicas e qualquer substância ilícita estão estritamente proibidas de serem levadas ao Território Indígena e os responsáveis estarão sujeitos a sanções penais.

  • Respeite a natureza

Nosso Território Indígena está no bioma Mata Atlântica, e essa mata exuberante, que foi tão destruída pelos não indígenas, é cuidadosamente cultivada e protegida por nós. Portanto, contribua para a sua preservação. Não jogue lixo e não retire espécimes de flora e fauna da mata. Informe-se com os guias guarani sobre o destino adequado do lixo. Cada aldeia e atrativo natural tem uma estratégica para gestão de resíduos sólidos, algo que tem sido um grande desafio em nossas aldeias desde que os não indígenas nos inundaram com mercadorias feitas de plásticos e outros materiais não biodegradáveis, ao contrário de tudo que sempre usamos. Colabore conosco!

  • Veja por onde anda

Cada comunidade tem o direito de estabelecer um roteiro de visitação e definir lugares que não são permitidos aos turistas para preservar sua privacidade. Assim, tanto nas aldeias como nos atrativos naturais no interior do Território Indígena, há lugares onde o acesso não é permitido. Informe-se com os guias responsáveis sobre onde é permitido ir, e não circule sem acompanhamento pelas aldeias.

  • Sempre pergunte antes de fazer fotos e registros

Conforme estabelece uma das diretrizes gerais deste Plano, os registros em áudio, foto ou vídeo devem ser previamente autorizados pelas lideranças ou monitores guarani responsáveis, assim como pelas próprias pessoas que estão sendo registradas. Além disso, está proibido qualquer uso comercial dos registos sem autorização prévia e formal das lideranças guarani.

  • Falar menos, escutar mais

Lembre-se, também, que nas aldeias e nas matas é importante fazer silêncio para poder aprender e apreciar a beleza dos locais. Além disso, falar alto e fazer barulho pode ser muito incômodo e desrespeitoso aos Guarani e uma postura desatenta e perigosa durante caminhada nas matas.

Siga as orientações de segurança

Nos passeios de barco, nas trilhas no interior da mata e demais visitas à atrativos naturais é imprescindível que os visitantes sigam corretamente todas as orientações de segurança fornecidas pelos monitores guarani. Caso contrário, a atividade ou passeio será imediatamente cancelada e os responsáveis terão o cadastro de visitantes suspensos.

  • Procure saber mais sobre a cultura, o modo de ser e a língua guarani mbya

Somos um povo de muito bom humor que gosta de conversar e rir, mas ao mesmo tempo somos reservados com quem não conhecemos. Normalmente evitamos ser grosseiros e não demonstramos quando estamos contrariados, mas achamos muito inadequado quando não indígenas insistem em falar conosco ou quando solicitam que façamos algo que não é do nosso agrado. Às vezes respondemos “sim” apenas para nos livrarmos logo de quem nos incomoda. Ou seja, não seja insistente além da conta e procure perceber quando não está agradando!

Tanto nossos mais velhos, como as crianças, falam que quase exclusivamente nossa língua nativa, o guarani mbya. Os adultos e jovens falam bem o português, ainda assim, a grande maioria dos Guarani da TI Tenondé Porã tem o mbya como língua materna.

Algumas palavras que usamos muito nas visitas:

Bom dia – Javy ju! (pronuncia-se, Djawy dju. O “y”  é uma vogal guarani que não existe no português, e seu som é algo entre o u e i).

Boa tarde – Nhande Ka’aruju (Nhandê Ca’arúdju)

Você está bem? – Reiko porã pa? (-reicó porã pa?)

Eu estou bem – Aiko porã (aicó porã)

Já vou embora – Aa ju ma (Aá dju ma)

Fiquem bem – Pepyta porã (Pepytá porã)

Além de visitar nossas aldeias, também é possível conhecer mais sobre nossa cultura e modo de ser (nhandereko) por meio de diversos vídeos e livros disponíveis na internet, como:

  • Seleção de vídeos guarani da CGY

http://videos.yvyrupa.org.br

  • Livro Ka’aguy re Jaiko – Vivemos na Mata

http://bd.trabalhoindigenista.org.br/sites/default/files/Kaaguyrejaikovivemosnamata.pdf

  • Hq “Xondaro”

http://bd.trabalhoindigenista.org.br/sites/default/files/Xondaro.pdf

  • Livro Xondaro Mbaraete – A Força do Xondaro

http://bd.trabalhoindigenista.org.br/sites/default/files/xondaro_web.pdf

  • Livro Guata Porã – Belo Caminhar

http://bd.trabalhoindigenista.org.br/sites/default/files/guata%20pora%20belo%20caminhar.pdf